Adriana, tetraplégica, conta sua experiência ao andar em veículos adaptados para cadeirantes
Adriana Lage
No último sábado, consegui matar minha curiosidade e andar no único táxi acessível que circula em Belo Horizonte. O táxi pertence a Disk Táxi e começou a circular em novembro do ano passado. Em todas as vezes que liguei, o táxi estava ocupado. Finalmente, pude experimentá-lo!
Participei do curso de formação dos taxistas que iriam dirigir os veículos adaptados em outubro de 2009. No curso, foi dito que a BHTrans abriria licitação para novos veículos – cerca de onze, se não me engano. Na época, uma reclamação comum aos taxistas foi o custo elevado das adaptações e a falta de subsídios para que os motoristas tivessem um interesse maior na aquisição de veículos adaptados. O presidente da Disk Táxi, na ocasião, fez questão de ressaltar que estava adquirindo o táxi muito mais pelo coração do que pela razão. O custo das adaptações foi altíssimo. Pesquisei junto à Coordenadoria dos Direitos dos Deficientes da PBH e fui informada que, infelizmente, ainda existe apenas esse táxi acessível em BH.
Quando liguei para a empresa e descobri que o táxi poderia me atender, fiquei igual criança! Minha irmã brincou comigo, quando chegamos em casa, falando que gostou de ver a minha empolgação ao andar no táxi acessível.
O táxi nos apanhou em uma das laterais do BH Shopping. Após estacionar o carro, o motorista ligou o taxímetro e preparou o elevador para que eu entrasse no carro. Assim que o cadeirante sobe pelo elevador, o motorista trava a cadeira de rodas, prende as rodas com os equipamentos de segurança e coloca o cinto de três pontas no passageiro. Minha mãe se sentou no banco que fica próximo ao cadeirante e minha irmã foi no banco da frente. Ainda sobrou lugar para guardar uma scooter que comprei para minha afilhada e algumas sacolas.
A sensação é ótima! Para quem tem dificuldades para sair da cadeira de rodas, o táxi acessível traz muita liberdade. Com ele, não preciso que ninguém me carregue, posso usar vestidos sem o risco de ‘pagar calcinha’, não incomodo ninguém para entrar no carro, não corro risco de cair ou me machucar na transferência da cadeira para o carro… Quando penso no táxi acessível, palavras como independência, autonomia, cidadania e liberdade, saltitam na cabeça.
A viagem foi bem tranquila. O veículo acessível parece circular com uma velocidade mais baixa que os demais táxis. Como sou tetraplégica, senti falta do encosto de cabeça. Acredito que, em ladeiras, ruas esburacadas e em velocidades mais altas, o cadeirante com pouco equilíbrio no pescoço sinta certo desconforto e medo de se machucar.
O motorista do táxi me disse que, felizmente, não faltam corridas. O horário padrão de funcionamento do táxi é das 8h às 18h. Brinquei com ele que o táxi acessível vicia. Agora vou querer andar sempre que possível e ficarei mal acostumada. Ele sorriu e complementou dizendo que os clientes ficam bem acostumados!!
A descida do veículo também foi bem tranquila. Só é preciso estacionar em um local mais espaçoso, onde seja possível descer o elevador e o cadeirante em segurança. Para sair do carro, o motorista retira os equipamentos de segurança das rodas, solta o cinto de três pontas, destrava a cadeira e aciona o elevador para a descida. Ao final, ele desliga o taxímetro.
Um dos meus receios era o preço da corrida. No curso, foi falado que a corrida sairia um pouco mais cara por causa do tempo gasto para colocar/retirar o cadeirante do veículo. Realmente, paguei cerca de R$ 6,00 a mais do que pagaria ao andar em um táxi comum. Achei a diferença pequena. Com toda certeza, o conforto e a sensação de liberdade valem a pena.
No mês passado, o táxi ficou parado alguns dias para conserto. Seu Ranulfo me disse que ficou extremamente chateado com a situação, pois deixou de atender inúmeros clientes e tinha noção do impacto que esse fato causaria na vida dos passageiros: cancelamento de compromissos, dificuldade para encontrar outra forma de ir e vir, etc. Espero que mais táxis acessíveis circulem por BH, mesmo sem os donos receberem subsídios e pagando caro pelas adaptações. Segundo o motorista do táxi, a tecnologia é importada, por isso o alto custo. Acredito que público para esses táxis não irá faltar e, logo, logo, os donos das empresas terão o retorno financeiro.
Fonte: Rede Saci ![]()



Comentário feito por: Fernanda Braga em 11 de novembro de 2010 às 21:06.
Gostaria de saber o numero de contato desse DISK TAXI. Minha sogra teve um AVC recentemente e me caso no final desse mês. Como ela está muito debilitada, pensamos em arrumar um carro adaptado como esse, mas tento achar na internet e não consigo. Por favor, se puderem me falar qual o telefone de contato dessa DISK TAXI, agradeceria imensamente.
Obrigada!
Comentário feito por: Gilberto Porta em 13 de novembro de 2010 às 11:27.
Boa tarde, Fernanda.
Temos um post falando sobre “Taxi adaptado em BH”, nele você encontra as informações: http://www.bhlegal.net/blog/taxi-adaptado-em-bh/
Muito obrigado pelo comentário e desejamos melhoras para sua sogra.
Gilberto e Telma.