O crescimento do número de pessoas com deficiência no Brasil (45 milhões) e no mundo (1 bilhão), além da grande consciência social que países de todo o mundo passaram a adotar, acabam direcionando o mercado a prestar atenção na acessibilidade. Casos de sucesso, onde hospedagens que possuem uma acessibilidade de qualidade, acabam fidelizando seus hóspedes e chamando a atenção de outros, pelas facilidade que os recursos de acessibilidade oferecem, mesmo a quem não tem nenhum tipo de deficiência.
Americanos adultos com deficiência gastam uma média de 4.2 bilhões de dólares por ano com hospedagens. Turistas Europeus e Asiáticos com deficiência também seguem a mesma linha de consumo, porém todos, inclusive os Brasileiros, procuram qualidade no quesito acessibilidade, além de um bom atendimento.
E a acessibilidade deve estar presente nos itens da estrutura arquitetônica do local, mas também em recursos complementares, como por exemplo diretório de serviços em Braille, campainhas luminosas para surdos, e cadeira de banhos para pessoas com deficiência física. Também é importante saber atender este hóspede sem lhe causar ofensa ou constrangimento, entender e saber agir para oferecer um pronto atendimento a quem necessita de ajuda e não atrapalhar aqueles que não precisam.
Mas para que esse trabalho tenha um retorno proporcional, é preciso trabalhar a comunicação. Se fazer conhecido para a comunidade de pessoas com deficiência é essencial, afinal eles serão os interessados diretos. Mas também, se posicionar entre as empresas que realizam reservas em hotéis ou oferecem roteiros onde a hospedagem está inclusa, também é importante, pois muitas vezes eles não sabem aonde recorrer quando recebem um turista com deficiência. Então isto também está incluso no programa, além de outras ações promocionais que irão ajudar o estabelecimento a se posicionar na sociedade, criando um forte conceito de responsabilidade social.
Finalmente, outros dois serviços que normalmente são oferecidos separadamente, estarão inclusos no programa. O primeiro é a Certificação de Acessibilidade e inclusão, que trará confiabilidade, devido aos seus critérios rígidos, por ter um grande detalhamento, descrevendo os recursos de acessibilidade para cada tipo de deficiência. Além disso, os itens terão uma atualização constante e o compromisso do estabelecimento em oferecê-los. É o único neste formato no Brasil, e com comprovada eficácia em outros países onde é aplicado.
O segundo é o serviço de agenciamento de turismo acessível, pois muitas pessoas com deficiência procuram por empresas especializadas que realmente conheçam suas necessidades, e a Turismo Adaptado já é conhecida e respeitada. A acessibilidade na viagem não é verificada somente no local onde o turista ficará hospedado, mas também no transporte, passeios, locais de alimentação entre outros itens, e tudo isso é verificado no serviço de agenciamento, potencializando a escolha do cliente pelo hotel.
A acessibilidade é um direito garantido por lei, desta forma todos os meios de hospedagens são obrigados a cumpri-la de acordo com as exigências específicas. Desta forma, o cliente também está no direito de exigi-las. Quanto mais isto for reforçado, maior será a transformação. Então é de grande importância que todos que utilizem este tipo de serviço, ou mesmo aqueles que simpatizem com a causa de obter uma sociedade mais justa e inclusiva, ajude a espalhar este novo conceito, feito por uma empresa de qualidade. A descrição completa pode ser vista acessando o link Programa de Acessibilidade Hoteleira.
Para maiores informações, entrar em contato com a Turismo Adaptado através do email ricardo@turismoadaptado.com.br ou pelos telefones (11) 3846-6333 e (11) 9854-1478.
Nestas férias fomos conhecer Socorro, a cidade do interior de São Paulo que busca receber o título de Cidade Acessível. Desde o ano passado, quando visitamos o stand da cidade na Reatech, pretendíamos viajar até lá. Também lemos as matérias que foram publicadas na revista Sentidos, desde quando a cidade começou o seu projeto de acessibilidade, e ficamos muito curiosos.
Tínhamos duas opções de hospedagem: o Campo dos Sonhos e o Parque dos Sonhos. Escolhemos o Parque dos Sonhos por ser direcionado aos esportes de aventura, enquanto que o Campo dos Sonhos é no estilo de hotel-fazenda. Adoramos! O Hotel, que fica na divisa de Socorro/SP com Bueno Brandão/MG, é bastante acessível, considerando as dificuldades do relevo, e todos os quartos podem ser utilizados, indistintamente, por qualquer pessoa, com ou sem deficiência. Os banheiros são amplos e a área de circulação é boa, com box espaçoso e banqueta para banho. Alguns pequenos detalhes poderiam ser acrescidos ou mudados, mas nada que comprometa a funcionalidade. No lavatório, pia rebaixada e espelho regulável tornam fácil o seu uso.
Os equipamentos do quarto, como cabideiros, frigobar, aparelho de ar condicionado, ficam todos em altura adequada. A cama, além de altura adequada, é muito confortável, com um bom colchão. Apenas, a nosso pedido, retiraram do quarto uma cama de solteiro extra, para que o Gil pudesse circular melhor na cadeira de rodas.
Foram-nos oferecidos uma cadeira motorizada e um quadriciclo. O Gil experimentou o quadriciclo mas não se adaptou, então fiquei com ele durante todos os dias de nossa hospedagem. Foi ótimo, assim pude circular livremente pelo hotel sem me cansar e sem sobrecarga muscular. No primeiro dia, por falta de experiência, tive um pouco de medo nas áreas externas. Como o terreno é acidentado, as trilhas são muito íngremes e eu tinha medo de que o carrinho virasse. Depois que me convenci de que isso não aconteceria, pude curtir meu novo meio de transporte.
No restaurante, o serviço self-service conta com balcões baixos e boa área de circulação entre as mesas, permitindo que tanto a cadeira de rodas quanto o quadriciclo circulassem sem obstáculos. Do lado de fora, lavatório e banheiro acessíveis.
Para nossa decepção fomos informados de que as atividades na água estavam suspensos. É que, na nossa inexperiência, não alertamos que estamos em período de seca, os rios com pouca água, o que torna impossível a prática da canoagem e do bóia-cross. Pena, porque eu queria muito experimentar…
Mas pudemos fazer o passeio de camionete (daquele tipo usado em safári) numa trilha deliciosa, morro acima, passando por dentro da mata nativa, por plantações de café. Haja fôlego! Em alguns momentos a gente pensa: "ôpa! Aí a camionete não sobe!" Mas subia, morro acima, e depois despencava morro abaixo, em paisagens maravilhosas. Fomos até a Cachoeira do Limoeiro, um lugar lindo, já no município de Bueno Brandão.
E, o melhor da festa, fizemos a tirolesa! No primeiro dia, o "Circuito Radical", composto de três trajetos: a Tirolesa do Pânico, a Tirolesa do Calafrio e a Tirolesa do Arrepio. Os condutores, muito bem preparados para lidar com os hóspedes com deficiência, nos passaram muita segurança. Ao invés dos cintos, usados pelos outros hóspedes, fomos colocados (colocados mesmo, carregados, colocados e amarrados) naquelas cadeirinhas de tecido acolchoado usadas nos voos de paraglider. Tudo pronto, lá vai a cadeirinha cabos abaixo. E lá vem o frio na barriga! Inevitável dar alguns gritos no meio do percurso, não de medo mas de puro prazer, por estar no ar, tão alto, vendo o vale e o rio tão pequeninos lá embaixo, passando vertiginosamente debaixo dos pés. A primeira tirolesa é de mil metros e a velocidade da descida varia de 40 a 55 Km/h, dependendo, entre outros fatores, do peso do aventureiro. As outras duas são de 400 e 200m. Ou seja, descendo a primeira, as outras ficam mais fáceis.
No dia seguinte fizemos a "Voadora": você desce deitado cabos abaixo. A sensação é mesmo parecida com o voo, com a diferença de que o corpo não está solto no ar. Dá gosto ver a fisionomia dos aventureiros quando chegam, parecem crianças soltas no parquinho, tão contentes estão.
Da cidade conhecemos pouco. Demos uma volta de carro, nos perdemos e não conseguimos chegar ao Centro. De qualquer forma, eu havia sido informada por pessoas da cidade de que o Centro estava em reforma e por isso, intransitável. Ainda, para desespero do Gil, gastei horas numa feira de malhas – muito arrumadinha, com lojas em vez de stands, com grande variedade de artigos, de boa qualidade e preços razoáveis. O França, o motorista que nos acompanhou, também saiu de lá cheio de sacolas. A feira dispõe de lanchonete, cafeteria, água e banheiros, incluindo um acessível.
Agora estamos planejando a volta… Para praticar os esportes na água, fazer o rapel adaptado e conhecer a cidade. Talvez da próxima vez fiquemos no Campo dos Sonhos, para experimentar outras atividades. Com a facilidade de que se pode trocar uma diária de um hotel para o outro, usufruindo das opções oferecidas pelos dois.
É um passeio agradável, fora da rotina, e recomendamos a todos, mesmo os que não têm espírito aventureiro.
A cadeirante mineira Adriana Lage conta suas experiências de acessibilidade em Salvador
Adriana Lage
Como andava bem estressada com a reestruturação em meu trabalho, resolvi tirar uma semana de férias para relaxar em um check-in, o funcionário me perguntou se eu precisaria de ajuda para me locomover até o local de embarque. Falei que não, já que estava com minha irmã e mãe e já conhecia o caminho. Só que, com isso, não recebi assistência para entrar na aeronave e na transferência para a poltrona da aeronave. Deixei de ser considerada prioridade.
Vale ressaltar que, ainda hoje, a Webjet não possui o cinto de segurança de 3 pontas previsto na Resolução 009/2007 da ANAC.
Assim que desembarquei em Salvador, havia um doblô me esperando para levar até o resort. Uma tranquilidade! Normalmente, o receptivo, mesmo sendo avisado pela minha agente de viagens, envia um ônibus para fazer o traslado, dificultando, e muito, a vida de pessoas com dificuldade de locomoção.
Acho bem bacana o aeroporto de Salvador. Ele é muito acessível: elevadores, sinalização, banheiros adaptados, etc. Utilizei um dos banheiros adaptados e achei engraçado o fato do vaso sanitário ter altura padrão e barras de apoio, mas a pia e espelho terem a altura muito baixa, compatíveis com anões. Tive que me curvar para poder lavar as mãos.
Na volta para casa, ao embarcar em Salvador, fui revistada manualmente, já que estavam sem aquele detector de metais que usam para revistar cadeirantes.
Resort em Guarajuba
Fiquei hospedada em um resort maravilhoso na praia de Guarajuba. O hotel fica a uns 40 minutos do aeroporto (Lauro de Freitas) e cerca de uma hora da cidade de Salvador.
O resort possui apartamentos e chalés. Vários restaurantes e bares, uma boate, quadras de esporte, SPA (massagens, tratamentos estéticos, uma piscina maravilhosa e aquecida), academia, centro náutico, feirinha de artesanato, lojinhas, uma piscina fantástica de uns 3000 metros, etc. A acessibilidade é boa para cadeirantes. Por todo o hotel, encontramos rampas. Em algumas pontes de madeira, existe um degrau para subir nelas, sobretudo as que cortam as piscinas.
Como o lugar é enorme, hóspedes com dificuldade de locomoção podem solicitar um carrinho na recepção para os deslocamentos. Senti falta de uma cadeira de rodas motorizada! Pesquisei várias lojas em Salvador, o pessoal do Hotel também, mas não conseguimos localizar nenhuma loja que alugasse cadeiras de rodas motorizadas.
Fiquei hospedada em um apartamento adaptado. Adorei! O quarto é bem espaçoso e o banheiro maravilhoso. Barras de apoio e móveis rebaixados dividem espaço com um chuveiro e também uma cadeira de banho fixa que fica junto à duchinha de água quente/fria. O secador de cabelos, telefone, espelho, interruptores de luz, descarga, torneiras, tudo fica ao alcance do cadeirante.
No restaurante próximo às piscinas, não encontrei mesa compatível com a cadeira de rodas. Ou ficava muito longe ou tinha que estacionar minha cadeira de rodas ao lado da mesa. Mas a comida é uma delícia e o atendimento ótimo.
O acesso ao mar é feito através de uma rampa de madeira e de pequenos degraus. Só que existe uma espécie de barranco para se chegar ao mar. Achei melhor não chegar à areia, já que gosto mais de ficar contemplando a paisagem do que interagindo com a areia e o mar. A praia é linda! O mar não é tão belo quanto o de Alagoas, mas existem vários coqueiros por toda a praia.
A programação é animada! Caminhadas na praia, hidroginástica, futebol, oficinas de artesanato, concursos diversos, shows noturnos. Impossível sair de lá sem sacudir o esqueleto e se deixar levar pelo som dos tambores. Os pais também podem ficar despreocupados, pois existe uma extensa programação infantil.
A fauna presente no resort é muito variada. Vi diversas espécies de pássaros, miquinhos, papagaios, calangos, gatos e peixes no grande lago. Além disso, belas árvores e mudas de plantas (coco, acerola, jambo) enfeitam o resort.
Como fica em um condomínio fechado, numa área bem arborizada e livre de poluição, o resort é um sossego só. À noite, o céu fica ainda mais lindo sem tanta poluição. É possível passar horas contemplando as estrelas.
Dentro do hotel, existem empresas que vendem passeios para Salvador, Praia do Forte, Mangue Seco, etc. Conversei com representantes das 3 empresas e fiquei frustrada ao descobrir que, para cadeirante, só indicavam o passeio à Salvador e à Praia do Forte. Infelizmente, tive a impressão que a Bahia ainda está bem atrasada em relação à acessibilidade. Tentei, por exemplo, passear na mata atlântica, de buggy ou triciclo, para conhecer o famoso Castelo de Garcia D’Ávila e andar de escuna para ver a baleiada (uma escuna leva o grupo de turistas, em alto mar, para a observação das baleias Jubarte que costumam visitar o litoral baiano entre julho e agosto). Em nenhum dos casos, as empresas estavam aptas a atender uma cadeirante tetraplégica com segurança. A funcionária de uma das empresas pesquisou bastante, mas não conseguiu encontrar um buggy que tivesse cinto de segurança e encosto para a cabeça. Outros passeios vendidos são a observação de preguiças na mata atlântica, trilhas pela mata, flutuação e passeio de barco por um rio. Pena que o turismo acessível ainda esteja se iniciando em nosso país.
Deixei algumas sugestões de melhoria da acessibilidade do resort com a gerência. Minhas ideias foram muito bem recebidas.
Enfim, o resort é lindo e ótimo para quem pretende descansar ou namorar.
City Tour Histórico à Salvador
Sempre fui doida para conhecer Salvador e passear pelo Pelourinho. Infelizmente, em todos os lugares que pesquisei, inclusive um guia de acessibilidade das principais capitais brasileiras, falavam que a acessibilidade por aqueles cantos ainda deixa muito a desejar. Realmente, já passeei por Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Sergipe e Rio Grande do Norte e sempre recebi ajuda em relação à falta de acessibilidade. Os guias turísticos e moradores sempre se esforçaram para me ajudar. Na Bahia, fiquei decepcionada com a falta de consideração e pouco caso. Exceto na Igreja do Bonfim, nos demais locais não recebi nenhuma ajuda.
Uma das coisas que mais ouvi na minha semana de férias, é que Salvador disputa com o Rio de Janeiro quem recebe o maior número de turistas. Se for assim, mais do que esperado imaginar que teria o mesmo tratamento recebido nos outros Estados do Nordeste. Doce ilusão! Quando fechei meu passeio à Salvador, solicitei ao funcionário que o guia e/ou motorista me ajudassem, preferencialmente, a entrar/sair da van. Só que, em momento algum, os dois me ofereceram ajuda. A título de comparação, em 2008, passei um final de semana no Rio. Combinei, via e-mail, com o dono da agência de receptivos que receberia assistência por parte deles. Só que minhas irmãs é que tiveram que me carregar para entrar no ônibus. Reclamei e me trocaram de ônibus. O guia passou a me carregar. O interessante é que os principais pontos turísticos são adaptados: Pão de Açúcar, Cristo Redentor, Jardim Botânico, etc. Até táxis adaptados circulam pela cidade.
O passeio começou com um tour, de van, pela orla de Salvador. Conhecemos as principais praias, centro comercial, centro administrativo, os circuitos do carnaval, o Dique do Tororó e algumas casas de artistas famosos.
Paramos para conhecer o Farol da Barra. Muito bonito o local. Acabei não descendo da van, pois o terreno é um pouco complicado para cadeirantes: logo no início, existem uns 3 degraus para se chegar ao gramado. O restante da caminhada é feita em um pequeno morro formado por pedras. Uma coisa que me incomodou, além da falta de acessibilidade, foi a insistência dos vendedores locais. Até para tirar foto, a baiana cobra! Eles não nos dão sossego. Saem atrás do turista e arrumam uma falação danada. No Pelourinho, Bonfim e nas imediações do Mercado Modelo também passei por isso.
Em seguida, fomos conhecer a famosa Igreja do Bonfim. Para quem mora em Minas, é até engraçado ouvir dizer em uma escadaria que possui apenas 10 degraus! Logo que desci do carro, vendedores locais me carregaram escadaria acima; nem tive tempo de falar nada. Na verdade, existe uma rampa na lateral da igreja evitando que o cadeirante tenha que subir as escadas. A Igreja é muito bonita. Lembra bastante as existentes nas cidades históricas de Minas. É imperdoável sair de lá sem fazer seus 3 pedidos e amarrar a fitinha de Nosso Senhor do Bonfim no braço ou na porta da igreja. A visitação é gratuita.
Fiquei encantada com a diversidade da cidade. É uma mistura muito louca. Passando pela cidade baixa, vi muitos barracos, casinhas mais humildes, escadarias e mais escadarias penduradas nas ladeiras. Imagine só o perrengue que deficiente passa nessa cidade. Vê-se de tudo: mendigos, travestis, camelôs, etc. Pessoas de todos os estilos e raças.
Fomos almoçar no centro histórico, em um restaurante no Terreiro de Jesus. O restaurante fica próximo à Igreja de São Francisco e é delicioso, além de atender a todos os gostos. O salmão ao molho de maracujá é divino! Pena que o banheiro não seja adaptado e, ainda por cima, tenha uma porta tão estreita que não permite a passagem da cadeira de rodas. Tive que ser carregada para entrar nele. A gerente do restaurante ficou toda sem graça e me pediu desculpas. Disse ainda que iriam providenciar um banheiro mais largo. Pelo o que pesquisei junto aos guias turísticos e moradores, ainda são poucos os cadeirantes que passeiam por lá.
Outro local visitado foi a Igreja de São Francisco. É impressionante como todas as igrejas dessa ordem são semelhantes. Se paga R$ 3,00 para entrar. Na entrada da igreja existe um degrau. Lá dentro, existem rampas. O seu interior é lindo! Muito interessante brincar com as perspectivas do teto.
No centro histórico, todas as ruas são de calçamento. As pedras são irregulares e com vários desníveis. Fizemos uma caminhada, a pé, da Igreja de São Francisco até o Pelourinho. Passamos por algumas ruas estreitas e pegamos a van na Baixa do Sapateiro. O passeio foi bem legal, mas é muito incômodo para cadeirantes. Só é possível andar nas 2 rodas e a cadeira sacode muito. Os passeios são estreitos. Em muitos deles, não cabe a cadeira de rodas. Fora isso, muitas calçadas possuem obstáculos arquitetônicos (cestas de lixo, caixa de correio, sacos de lixo). Alguns pedestres também se recusaram a dar licença do passeio para passar com a cadeira de rodas.
No trajeto pelo centro histórico, tive que contar com a força da minha mãe e irmã para empurrarem a cadeira de rodas pelas pedras. Em momento algum, a guia turística, os companheiros de excursão e moradores da região me ofereceram ajuda. Para descer a ladeira até a Baixa do Sapateiro, fui rezando e torcendo para a cadeira de rodas não tombar. O terreno é extremamente irregular. Minha mãe e irmã ficaram quebradas.
Por sorte, quando chegamos à van, o motorista havia mudado. Esse passou a me oferecer ajuda e me colocou dentro do carro nas vezes que precisei.
Passeei também pelo Mercado Modelo. Nele, existem rampas e banheiros adaptados. Mas o cadeirante não tem acesso ao segundo andar. O acesso somente é feito através de escadas. O Mercado é bem amplo. Não resisti e comprei vários doces, bonecas, chaveiros e imãs artesanais. Do lado de fora, existe uma feirinha. Só que, sinceramente, não gostei do ambiente. Os vendedores também são insistentes, sem falar nos pedintes solicitando dinheiro.
Uma das vistas mais lindas é a da Bahia de Todos os Santos, composta por várias ilhas. Do Elevador Lacerda, é possível admirar essa bela paisagem. Se paga R$ 0,15 para utilizar o elevador, que, por sua vez, não é panorâmico.
Enfim, em relação à Salvador, tenho que reconhecer que matei minha curiosidade, mas fiquei frustrada com o tratamento recebido. Acredito que isso seja decorrente muito mais da falta de costume do que de um pouco caso ou falta de solidariedade. Em um dia de passeio, tive a certeza que a acessibilidade ainda está muito atrasada na cidade e que cadeirante passa muito aperto por lá. Embora seja linda, sinceramente, não é uma cidade que eu recomendaria para pessoas com dificuldade de locomoção. Quando se tem ajuda, fica mais fácil superar as barreiras arquitetônicas, mas, sem ela. É o caos!
Praia do Forte
A Praia do Forte é considerada a Búzios da Bahia. É uma charmosa vila de pescadores, cheia de lojinhas e bares. À noite, a vila fica cheia e agitada. É um local muito bonito e atraente.
Um dos principais atrativos é o Projeto Tamar, o pioneiro no país. Para visitar o projeto, é cobrado um ingresso no valor de R$ 12,00. Lá dentro, a acessibilidade existe.
Próximo ao Projeto Tamar, temos a Igreja de São Francisco e uma pracinha. Na beira da praia, existe uma pequena esteira de madeira. Mas, para se chegar ao mar, é preciso pisar na areia.
Nos dois dias em que passeei pela Praia do Forte, troquei o mar e o Projeto Tamar pelas lojinhas. Os preços são bem variados! É preciso pesquisar bastante. Adorei os preços de uma lojinha que fica próxima à Igreja e o ateliê do artista plástico Jorge dos Santos.
Ao longo da Vila, nos deparamos com vários cafés, restaurantes, bares, bancos, lojas variadas, ateliês, uma escola, farmácia,etc. Temos também uma feirinha, um resort e o Instituto da Baleia Jubarte.
Em alguns pedaços, o calçamento é de pedra, bem incômodo para cadeirante. Na ‘passarela’ das lojinhas, as pedrinhas são regulares e permitem andar normalmente com a cadeira de rodas. Algumas lojas possuem degraus/escadas, mas, geralmente, existem rampas alternativas.
O turista tem a opção de andar à pé ou optar por dois transportes alternativos: o bicitáxi e o Tuc Tuc. O primeiro é uma espécie de táxi feito em bicicleta. Já o Tuc Tuc, é um transporte indiano.
Uma das coisas mais interessantes que encontrei na Praia do Forte foi uma casa de fazer farinha. As mulheres fazem todo o processo com a mandioca até que ela se torne farinha.
Enfim, foi uma semana maravilhosa! Descansei bastante e aproveitei para matar minha curiosidade conhecendo Salvador. Guarajuba é linda e merece ser visitada. O resort é uma delícia. Salvador é uma cidade fantástica, porém pouco acessível para cadeirantes. Para visitá-la, é preciso incluir na mala alguns itens adicionais: muita disposição para sacudir pelas ladeiras, relaxante muscular e amigos fortes e dispostos a empurrar a cadeira de rodas em ruas de pedra. Senti falta de uma maior conscientização do povo baiano em relação às pessoas com deficiência. Espero que essa situação se modifique rapidamente.