Soldados que voltam aos EUA sobre cadeiras de rodas reiventam suas rotinas praticando surf, escalada, rafting e voo livre.
The New York Time – 06/09/2011.
Em busca de maneiras de manter sua adrenalina em alta depois que um acidente de moto o forçou a sair do serviço militar e o colocou em uma cadeira de rodas, Darol Kubacz reinventou-se como uma espécie de pioneiro dos esportes radicais.

Ernie Butler, diretor-executivo da região nordeste da organização dos Veteranos Paralisados da América, pratica esportes de voo livre.
Primeiro, ele iniciou a prática de esqui, mas devido à falta de cuidado, ele quebrou sua coluna uma segunda vez. Depois de uma dolorosa recuperação, ele passou a praticar o mountain biking e o mergulho, e chegou a escalar o Monte Kilimanjaro.
No mês passado, a necessidade em buscar aventuras tirou Kubacz de sua casa no Arizona e o levou a uma montanha rochosa para fazer algo que um par de pernas em pleno funcionamento nunca teria permitido alguém fazer de qualquer maneira: voar.
“Como os fuzileiros navais dizem,” ele explicou, “se adaptar e se superar.”
E com uma nova e modificada cadeira de rodas, Kubacz, 37, e seu instrutor saltaram da encosta da montanha em direção à imensidão azul para planar no vento com seu paraquedas.
Por gerações, soldados que voltam aos Estados Unidos com deficiências graves, tanto ocorridas em combate quanto em atividades de risco experimentadas em seus dias de folga, como o motociclismo, encontravam uma pacata e limitada opção de atividades esportivas. Mas a última geração de veteranos deficientes está cada vez mais retomando esportes em busca da emoção que desfrutavam antes de suas lesões.
À medida que expandem a gama dos chamados esportes de adaptação para o surf, escalada e rafting, com a ajuda de novas tecnologias e financiamento de organizações públicas e privadas, esses veteranos têm trabalhado para provar que uma cadeira de rodas não requer necessariamente que o seu ocupante se mantenha apenas com as rodas no chão.
“Eles estão fazendo coisas que nunca pensaríamos ser possíveis dez anos atrás”, disse Kirk Bauer, diretor-executivo da Disabled Sports USA (Esportes Para Deficientes EUA, em tradução literal). No passado, quando Bauer perdeu uma perna no Vietnã, a organização tinha apenas uma sede e ensinava apenas o esqui. Hoje tem mais de 100 filiais e oferece 30 esportes para deficientes.
“Eles adoram velocidade, eles adoram desafio e amam correr riscos”, disse Bauer. “E eles estão realmente cada vez mais desafiando os limites.”
Esse era o objetivo claro dos cinco paraplégicos veteranos militares, nenhum ferido em combate, que chegaram na instituição no mês passado para aprender a praticar o paragliding, um tipo de voo sem propulsão, similar à asa delta, mas que faz uso de um equipamento semelhante a um paraquedas.
Os pilotos decolam e depois sentam-se em um apoio posicionado abaixo da lona, que pode ser dirigido por comandos manuais. Os mais experientes podem ficar no ar por horas antes de aterrissar, normalmente em um campo aberto.
Embora não sejam os primeiros paraplégicos a praticar o paragliding, eles foram os primeiros a serem ensinados a partir do zero usando um novo dispositivo chamado Phoenix, que utiliza uma cadeira de rodas no lugar de um apoio comum. O objetivo final é que os participantes possam praticar o esporte por conta própria, talvez até em competições.
“Eu sabia que poderia praticá-lo com o equipamento certo, mas eu simplesmente não sabia se alguém tinha sido corajoso o suficiente para experimentar isso”, disse Erik Burmeister, 37 anos, que ficou paraplégico em um acidente de moto.
Após a sua lesão, Burmeister aprendeu a esquiar e mergulhar, praticando cada um com o máximo de frequência possível. Um certo dia, em sua casa, na Pensilvânia, ele procurou na internet uma atividade que o fizesse sentir a emoção de sua dúzia de saltos de paraquedas pelo Exército e se deparou com informações sobre o programa Able Pilot (Piloto Capaz, em tradução livre), o grupo que organizaria na época o primeiro programa de paragliding para cadeirantes. Ele foi um dos cinco escolhidos entre mais de 100 candidatos.
“Nós todos aceitamos que a nossa mobilidade é limitada”, disse ele. “Mas temos uma rotina constante de ter que arrastar nossas cadeiras de rodas por aí. Porém, em todos estes esportes, a locomoção é praticamente dispensável. A sensação de liberdade é incrível. ”
O programa de treinamento de quatro dias também serviu de lembrete para o inevitável processo de erros que vem com o aprendizado de um novo esporte, particularmente para alguém em uma cadeira de rodas. Durante as apresentações, os participantes foram informados de que não são hamsters em algum experimento. Ainda assim, eles abraçaram o papel de colocar os seus corpos em risco. No final do treinamento, quatro dos cinco tinham caído ou errado na aterrissagem, e o quinto caiu quando uma decolagem foi abortada. Os instrutores voluntários, bem como engenheiros da Universidade de Utah, tomaram notas das sugestões que os alunos fizeram sobre como melhorar os métodos de ensino e até mesmo o design da cadeira de rodas para atender melhor às suas necessidades.
O programa foi pago com doações do grupo de Veteranos Paralisados da América e pela Fundação Christopher e Dana Reeve, com a ajuda local da Sun Valley Sports Adaptive. Diversos outros grupos se recusaram a oferecer apoio, alegando que o programa era muito arriscado.
“Sim, a prática do paragliding é inerentemente perigosa”, disse Mark Gaskill, um veterano e parapentista que iniciou o programa Able Pilot após levar vários paraplégicos em voos duplos. “A vida é perigosa. Esses caras entendem os riscos. Eles entendem o que uma lesão pode fazer. Porém o voo na cadeira de rodas não é para todos.”
As aulas, que na sua maioria são compostas por treinamentos no chão, começavam antes do amanhecer, com o grupo sendo transportado em vans para um passeio nas montanhas. Cada dia os alunos também praticavam em voos duplos com instrutores voluntários, durante o qual eles eram capazes de voar nos planadores por si próprios.
“Eu nunca achei que iria voar outra vez”, disse Anthony Radetic, 32 anos, um ex-piloto de helicóptero que quebrou suas costas quando sua motocicleta foi atingida por um carro.
Durante anos após a sua lesão, ele tinha vergonha de sair de sua casa, especialmente depois que ele foi forçado a deixar o Exército. Isso mudou quando conheceu os esportes adaptativos: o Jet Ski, o esqui na neve e a corrida de handcycle, pelos quais ele competiu em numerosas maratonas. Ele mesmo também adaptou sua motocicleta, uma Ducati, para que pudesse continuar a passear nas estradas em volta de sua comunidade no interior do Alabama.
Este tipo de transformação é uma das razões pelas quais o Departamento de Assuntos dos Veteranos tem apoiado entusiasticamente o que os líderes descrevem como um aumento exponencial dos esportes radicais, oferecendo assim dinheiro para equipamentos e treinamento. Mesmo arriscadas, as atividades são vistas como uma melhor alternativa do que beber e viver em depressão – algo que muitas vezes acontece após lesões que alteram a vida de um indivíduo.

Hoje, instituições especializadas oferecem mais de 30 tipos de esportes radicais para deficientes – Foto: NYT.

O instrutor Rob Sporrer acompanha Erik Burmeister, veterano que ficou paraplégico após acidente de moto, durante voo – Foto: NYT.

Anthony Radetic, um ex-piloto que fraturou a coluna quando sua moto foi atingida por um carro, praticou parapente com a ajuda de um instrutor – Foto: NYT

Darol Kubacz é um dos veteranos que participa do treinamento. Ele sofreu um acidente de moto que o deixou paraplégico – Foto: NYT.
“É mais do que um bando de loucos que se dispõem a sair e curtir um momento”, disse Richard Stieglitz, que supervisiona a saúde física e o bem-estar do Projeto Guerreiro Ferido, que fornece programas para pessoas feridas no serviço militar. “Nós utilizamos o programa como uma ferramenta para mostrar que eles podem fazer tudo o que quiserem. ”
Depois de um passeio de van até o topo da montanha usada para a decolagem, Ernie Butler, 59 anos, se preparou para seu primeiro voo em Phoenix.
Ele retirou um capacete e o restante do equipamento de uma pequena bolsa. A última vez que ele colocou o mesmo tinha sido há 16 anos, “o dia em que seu salto deu errado.” Seu paraquedas ficou enrolado no de um colega – ele caiu no chão com mais de 220 fraturas.
Sua memória do acidente não trazia nervosismo, apenas ansiedade. “Já faz um tempo que não deixo meus joelhos livres no vento” disse ele.
E depois com um alegre grito ele desceu ladeira abaixo e decolou, gritando de empolgação ao passar pelo grupo que preparava uma outra cadeira para o próximo pulo.
* Por A. G. Sulzberger.
Assista o vídeo disponibilizado pela Veja:
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Fonte: Último Segundo![]()

Nestas férias fomos conhecer Socorro, a cidade do interior de São Paulo que busca receber o título de Cidade Acessível. Desde o ano passado, quando visitamos o stand da cidade na Reatech, pretendíamos viajar até lá. Também lemos as matérias que foram publicadas na revista Sentidos, desde quando a cidade começou o seu projeto de acessibilidade, e ficamos muito curiosos.
Tínhamos duas opções de hospedagem: o Campo dos Sonhos e o Parque dos Sonhos. Escolhemos o Parque dos Sonhos por ser direcionado aos esportes de aventura, enquanto que o Campo dos Sonhos é no estilo de hotel-fazenda. Adoramos! O Hotel, que fica na divisa de Socorro/SP com Bueno Brandão/MG, é bastante acessível, considerando as dificuldades do relevo, e todos os quartos podem ser utilizados, indistintamente, por qualquer pessoa, com ou sem deficiência. Os banheiros são amplos e a área de circulação é boa, com box espaçoso e banqueta para banho. Alguns pequenos detalhes poderiam ser acrescidos ou mudados, mas nada que comprometa a funcionalidade. No lavatório, pia rebaixada e espelho regulável tornam fácil o seu uso.
Os equipamentos do quarto, como cabideiros, frigobar, aparelho de ar condicionado, ficam todos em altura adequada. A cama, além de altura adequada, é muito confortável, com um bom colchão. Apenas, a nosso pedido, retiraram do quarto uma cama de solteiro extra, para que o Gil pudesse circular melhor na cadeira de rodas.
No restaurante, o serviço self-service conta com balcões baixos e boa área de circulação entre as mesas, permitindo que tanto a cadeira de rodas quanto o quadriciclo circulassem sem obstáculos. Do lado de fora, lavatório e banheiro acessíveis.
Mas pudemos fazer o passeio de camionete (daquele tipo usado em safári) numa trilha deliciosa, morro acima, passando por dentro da mata nativa, por plantações de café. Haja fôlego! Em alguns momentos a gente pensa: "ôpa! Aí a camionete não sobe!" Mas subia, morro acima, e depois despencava morro abaixo, em paisagens maravilhosas. Fomos até a Cachoeira do Limoeiro, um lugar lindo, já no município de Bueno Brandão.
E, o melhor da festa, fizemos a tirolesa! No primeiro dia, o "Circuito Radical", composto de três trajetos: a Tirolesa do Pânico, a Tirolesa do Calafrio e a Tirolesa do Arrepio. Os condutores, muito bem preparados para lidar com os hóspedes com deficiência, nos passaram muita segurança. Ao invés dos cintos, usados pelos outros hóspedes, fomos colocados (colocados mesmo, carregados, colocados e amarrados) naquelas cadeirinhas de tecido acolchoado usadas nos voos de paraglider. Tudo pronto, lá vai a cadeirinha cabos abaixo. E lá vem o frio na barriga! Inevitável dar alguns gritos no meio do percurso, não de medo mas de puro prazer, por estar no ar, tão alto, vendo o vale e o rio tão pequeninos lá embaixo, passando vertiginosamente debaixo dos pés. A primeira tirolesa é de mil metros e a velocidade da descida varia de 40 a 55 Km/h, dependendo, entre outros fatores, do peso do aventureiro. As outras duas são de 400 e 200m. Ou seja, descendo a primeira, as outras ficam mais fáceis.
No dia seguinte fizemos a "Voadora": você desce deitado cabos abaixo. A sensação é mesmo parecida com o voo, com a diferença de que o corpo não está solto no ar. Dá gosto ver a fisionomia dos aventureiros quando chegam, parecem crianças soltas no parquinho, tão contentes estão.
Da cidade conhecemos pouco. Demos uma volta de carro, nos perdemos e não conseguimos chegar ao Centro. De qualquer forma, eu havia sido informada por pessoas da cidade de que o Centro estava em reforma e por isso, intransitável. Ainda, para desespero do Gil, gastei horas numa feira de malhas – muito arrumadinha, com lojas em vez de stands, com grande variedade de artigos, de boa qualidade e preços razoáveis. O França, o motorista que nos acompanhou, também saiu de lá cheio de sacolas. A feira dispõe de lanchonete, cafeteria, água e banheiros, incluindo um acessível.
