Acessifest 2010 – Festa da Acessibilidade, no Parque Municipal, Centro de BH, reúne portadores de deficiência que destacam a necessidade de políticas públicas mais eficazes para igualar direitos na cidade.
Luciane Evans – Estado de Minas.
Publicação: 16/05/2010.

Além de debates, houve música, apresentação de dança e shows para pessoas com algum tipo de limitação e seus familiares.
Se discursos fossem colocados em prática e a inclusão perdesse um pouco o caráter de marketing, no sábado, seria dia de comemorar. Mas a Festa da Acessibilidade (Acessifest 2010), que ocorreu no Parque Municipal, no Centro de BH, teve mais motivos para se tornar um dia de reflexão e de cobrança do que de celebração. Mesmo com as apresentações artísticas dos deficientes mentais, físicos ou visuais, que levaram alegria a centenas de pessoas, os entraves para essa parcela da população foram levantados por entidades e famílias que enfrentam na capital desafios diários que vão desde a falta de uma política pública real de inclusão até a discriminação, passando por acesso à cultura, saúde e até mesmo transporte público.
Se andar pelas ruas da cidade tem se tornado um perigo para qualquer belo-horizontino, para alguém com limitações o risco é ainda maior. “As calçadas estão cada vez mais esburacadas. O deficiente visual reclama todos os dias, mas nada é feito”, comenta a diretora social da Associação Crescendo Com Amor (ACCA), Isabela Vaz de Melo, que destacou a Rua Padre Pedro Pinto, em Venda Nova, como exemplo de descaso. “Ali, o canteiro central é estreito e um cego fica perdido e com medo de atravessar. As autoridades deveriam fazer pesquisas com esse público antes de construir uma via”, cobra. Ela também reclama que benefícios de passe-livre no transporte público da capital vêm sendo cortados pela empresa que gerencia o transporte, a BHTrans.
“Exemplo disso é o deficiente mental leve, que não tem essa gratuidade. O problema é que essas pessoas precisam se deslocar para se tratar e, muitas vezes, não têm dinheiro para a passagem e acabam não indo ao tratamento. O que era uma doença mental leve pode se agravar”, lamenta. Diariamente, Vilma Ribeiro Costa trava uma luta contra a discriminação vivida pela filha Raíssa, de 18 anos, que sofre de paralisia cerebral. “O desrespeito está dentro do ônibus e até mesmo nos postos de saúde. Mas nosso maior receio é que acabem com as escolas especiais. A inclusão nos colégios regulares existe, mas deve ser revista. Quiseram colocar minha filha para estudar junto com adultos à noite. Apesar da idade, ela não sabe escrever. Para incluí-la nesse ensino, eu teria que acompanhá-la.”
Leis.
Luzia Solini, presidente do Família Down, afirma que o sistema das leis é muito lento. “Para a inclusão, as autoridades têm que pensar e acreditar na pedagogia. O doente mental sempre está de fora nesse processo e isso tem que ser repensado”, diz. Mas ela afirma que eventos como o de sábado, em que centenas de pessoas levantaram a causa para os direitos iguais, são importantes para a socialização dos deficientes. “É bom para a autoestima deles”, ressalta Luzia.
Ainda que haja lentidão e alguns entraves na acessibilidade, a cadeirante Andréa de Campos, de 44, acha que a cidade está evoluindo. “Exemplo disso é que agora temos um táxi adaptado para os cadeirantes. Mesmo sendo apenas um carro, já é uma evolução”, enfatiza, lembrando que locais como teatro e cinema ainda não reservam o espaço para quem está em uma cadeira de rodas. “Eles esquecem que, quando vamos a esses lugares, vamos acompanhados”, disse, destacando também o estádio do Mineirão como exemplo de espaço público que precisa melhorar. “Vem aí a Copa do Mundo no Brasil, precisamos ter um bom estádio que sirva a todos. Atualmente, essa não é a realidade. São poucas as cadeiras e acessbilidade para nós”, criticou. O Acessifest 2010 contou com barracas de comida, shows, danças e serviços para os portadores de deficiência. A festa começou às 10h e só terminou às 16h.
Fonte: Uai – Minas
disponível em 16/05/2010.


