Ricardo Shimosakai.
O crescimento do número de pessoas com deficiência no Brasil (45 milhões) e no mundo (1 bilhão), além da grande consciência social que países de todo o mundo passaram a adotar, acabam direcionando o mercado a prestar atenção na acessibilidade. Casos de sucesso, onde hospedagens que possuem uma acessibilidade de qualidade, acabam fidelizando seus hóspedes e chamando a atenção de outros, pelas facilidade que os recursos de acessibilidade oferecem, mesmo a quem não tem nenhum tipo de deficiência.

Americanos adultos com deficiência gastam uma média de 4.2 bilhões de dólares por ano com hospedagens. Turistas Europeus e Asiáticos com deficiência também seguem a mesma linha de consumo, porém todos, inclusive os Brasileiros, procuram qualidade no quesito acessibilidade, além de um bom atendimento.
E a acessibilidade deve estar presente nos itens da estrutura arquitetônica do local, mas também em recursos complementares, como por exemplo diretório de serviços em Braille, campainhas luminosas para surdos, e cadeira de banhos para pessoas com deficiência física. Também é importante saber atender este hóspede sem lhe causar ofensa ou constrangimento, entender e saber agir para oferecer um pronto atendimento a quem necessita de ajuda e não atrapalhar aqueles que não precisam.
Mas para que esse trabalho tenha um retorno proporcional, é preciso trabalhar a comunicação. Se fazer conhecido para a comunidade de pessoas com deficiência é essencial, afinal eles serão os interessados diretos. Mas também, se posicionar entre as empresas que realizam reservas em hotéis ou oferecem roteiros onde a hospedagem está inclusa, também é importante, pois muitas vezes eles não sabem aonde recorrer quando recebem um turista com deficiência. Então isto também está incluso no programa, além de outras ações promocionais que irão ajudar o estabelecimento a se posicionar na sociedade, criando um forte conceito de responsabilidade social.
Finalmente, outros dois serviços que normalmente são oferecidos separadamente, estarão inclusos no programa. O primeiro é a Certificação de Acessibilidade e inclusão, que trará confiabilidade, devido aos seus critérios rígidos, por ter um grande detalhamento, descrevendo os recursos de acessibilidade para cada tipo de deficiência. Além disso, os itens terão uma atualização constante e o compromisso do estabelecimento em oferecê-los. É o único neste formato no Brasil, e com comprovada eficácia em outros países onde é aplicado.
O segundo é o serviço de agenciamento de turismo acessível, pois muitas pessoas com deficiência procuram por empresas especializadas que realmente conheçam suas necessidades, e a Turismo Adaptado já é conhecida e respeitada. A acessibilidade na viagem não é verificada somente no local onde o turista ficará hospedado, mas também no transporte, passeios, locais de alimentação entre outros itens, e tudo isso é verificado no serviço de agenciamento, potencializando a escolha do cliente pelo hotel.
A acessibilidade é um direito garantido por lei, desta forma todos os meios de hospedagens são obrigados a cumpri-la de acordo com as exigências específicas. Desta forma, o cliente também está no direito de exigi-las. Quanto mais isto for reforçado, maior será a transformação. Então é de grande importância que todos que utilizem este tipo de serviço, ou mesmo aqueles que simpatizem com a causa de obter uma sociedade mais justa e inclusiva, ajude a espalhar este novo conceito, feito por uma empresa de qualidade. A descrição completa pode ser vista acessando o link Programa de Acessibilidade Hoteleira
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Para maiores informações, entrar em contato com a Turismo Adaptado através do email ricardo@turismoadaptado.com.br ou pelos telefones (11) 3846-6333 e (11) 9854-1478.
Fonte: Turismo Adaptado
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Nestas férias fomos conhecer Socorro, a cidade do interior de São Paulo que busca receber o título de Cidade Acessível. Desde o ano passado, quando visitamos o stand da cidade na Reatech, pretendíamos viajar até lá. Também lemos as matérias que foram publicadas na revista Sentidos, desde quando a cidade começou o seu projeto de acessibilidade, e ficamos muito curiosos.
Tínhamos duas opções de hospedagem: o Campo dos Sonhos e o Parque dos Sonhos. Escolhemos o Parque dos Sonhos por ser direcionado aos esportes de aventura, enquanto que o Campo dos Sonhos é no estilo de hotel-fazenda. Adoramos! O Hotel, que fica na divisa de Socorro/SP com Bueno Brandão/MG, é bastante acessível, considerando as dificuldades do relevo, e todos os quartos podem ser utilizados, indistintamente, por qualquer pessoa, com ou sem deficiência. Os banheiros são amplos e a área de circulação é boa, com box espaçoso e banqueta para banho. Alguns pequenos detalhes poderiam ser acrescidos ou mudados, mas nada que comprometa a funcionalidade. No lavatório, pia rebaixada e espelho regulável tornam fácil o seu uso.
Os equipamentos do quarto, como cabideiros, frigobar, aparelho de ar condicionado, ficam todos em altura adequada. A cama, além de altura adequada, é muito confortável, com um bom colchão. Apenas, a nosso pedido, retiraram do quarto uma cama de solteiro extra, para que o Gil pudesse circular melhor na cadeira de rodas.
No restaurante, o serviço self-service conta com balcões baixos e boa área de circulação entre as mesas, permitindo que tanto a cadeira de rodas quanto o quadriciclo circulassem sem obstáculos. Do lado de fora, lavatório e banheiro acessíveis.
Mas pudemos fazer o passeio de camionete (daquele tipo usado em safári) numa trilha deliciosa, morro acima, passando por dentro da mata nativa, por plantações de café. Haja fôlego! Em alguns momentos a gente pensa: "ôpa! Aí a camionete não sobe!" Mas subia, morro acima, e depois despencava morro abaixo, em paisagens maravilhosas. Fomos até a Cachoeira do Limoeiro, um lugar lindo, já no município de Bueno Brandão.
E, o melhor da festa, fizemos a tirolesa! No primeiro dia, o "Circuito Radical", composto de três trajetos: a Tirolesa do Pânico, a Tirolesa do Calafrio e a Tirolesa do Arrepio. Os condutores, muito bem preparados para lidar com os hóspedes com deficiência, nos passaram muita segurança. Ao invés dos cintos, usados pelos outros hóspedes, fomos colocados (colocados mesmo, carregados, colocados e amarrados) naquelas cadeirinhas de tecido acolchoado usadas nos voos de paraglider. Tudo pronto, lá vai a cadeirinha cabos abaixo. E lá vem o frio na barriga! Inevitável dar alguns gritos no meio do percurso, não de medo mas de puro prazer, por estar no ar, tão alto, vendo o vale e o rio tão pequeninos lá embaixo, passando vertiginosamente debaixo dos pés. A primeira tirolesa é de mil metros e a velocidade da descida varia de 40 a 55 Km/h, dependendo, entre outros fatores, do peso do aventureiro. As outras duas são de 400 e 200m. Ou seja, descendo a primeira, as outras ficam mais fáceis.
No dia seguinte fizemos a "Voadora": você desce deitado cabos abaixo. A sensação é mesmo parecida com o voo, com a diferença de que o corpo não está solto no ar. Dá gosto ver a fisionomia dos aventureiros quando chegam, parecem crianças soltas no parquinho, tão contentes estão.
Da cidade conhecemos pouco. Demos uma volta de carro, nos perdemos e não conseguimos chegar ao Centro. De qualquer forma, eu havia sido informada por pessoas da cidade de que o Centro estava em reforma e por isso, intransitável. Ainda, para desespero do Gil, gastei horas numa feira de malhas – muito arrumadinha, com lojas em vez de stands, com grande variedade de artigos, de boa qualidade e preços razoáveis. O França, o motorista que nos acompanhou, também saiu de lá cheio de sacolas. A feira dispõe de lanchonete, cafeteria, água e banheiros, incluindo um acessível.
Pense em um destino que una turismo rural, aventura e lazer para toda a família. Quem busca alguma dessas opções em uma viagem a preços populares pode seguir em direção a Socorro, a 134 quilômetros da capital paulista.
