Cadeirantes superam limitações e encontram qualidade de vida e autoestima na prática da modalidade. Clube, que não cobra pelas aulas nem pelos equipamentos, procura mais alunos.
Histórias diferentes e destinos parecidos levaram um grupo de cadeirantes a se reunir e formar a equipe de esgrima em Belo Horizonte. Roupas apropriadas, espadas e as adaptações para o uso das cadeiras de rodas dão ao Barroca Tênis Clube, em parceria com o programa Superar, da prefeitura, um ar de rivalidade, mas com diversão e, ao mesmo tempo, seriedade. O time é o mesmo desde a criação, em fevereiro do ano passado, e os competidores já foram premiados em torneios fora da capital mineira.

“O mais importante é a coordenação, a precisão, o convívio social com o esporte, que faz falta para todas as pessoas”, explica Kléber Castro, educador físico. São cinco esgrimistas em diferentes categorias, divididas entre A, B e C, de acordo com a lesão medular. O fisioterapeuta Marcos Antônio Ferreira, de 32 anos, tetraplégico há quatro, tem a C, considerada mais grave. Sempre esportista, em uma de suas aventuras ele sofreu o acidente. A volta por cima veio com o rúgbi. Hoje se completa com a esgrima. “A qualidade de vida atual é muito melhor. É incomparável. Com força e destreza nos movimentos, consigo fazer muitas coisas do dia a dia.”
Um acidente de carro em 1995 deixou Gustavo Henrique de Araújo, de 35 anos, paraplégico. O esporte sempre foi muito presente em sua vida, porém, nos últimos 16 anos, ele mudou de forma positiva a maneira de encarar as competições. “Logo que retomei o contato, o esporte voltou a ser o que sempre foi.” Há oito anos jogando tênis para cadeirantes e há nove meses praticando esgrima, Gustavo acredita que a atividade é uma forma de aumentar a autoestima e a força física. “A gente vê o que consegue fazer apesar das limitações.”
Triatleta, Márcio Silveira Neves, de 35 anos, praticava ciclismo em torno da Lagoa da Pampulha quando um motorista embriagado atropelou toda a equipe. Paraplégico há três anos e meio, Márcio usa cadeira de rodas. “Não conhecia esporte adaptado. Quando passa a fazer parte do nosso contexto, a gente começa a se interessar.” Ele, que nunca gostou de futebol e outras modalidades com bola, viu na esgrima uma forma de superar o ocorrido. “Eu a tenho como a melhor medicação de que faço uso hoje. É se tornar competidor novamente, porque a própria cadeira já é uma competição diária.”
Thiago de Jésus Alves, de 28 anos, nasceu com má-formação na coluna. Desde cedo se locomove com cadeira de rodas. Durante a vida, fez muita fisioterapia, mas pela primeira vez pratica esportes. “É mais agradável do que a fisioterapia”, brinca. A esgrima foi a iniciação de uma vida mais saudável, pois antes sua rotina era trabalho, escola, casa. O esporte e a convivência com outros esgrimistas elevaram sua autoestima. Hoje ele até faz regime e já perdeu peso com os novos hábitos.
TREINAMENTO.
Todos esses atletas estão juntos há 11 meses, praticando a modalidade de segunda a quinta-feira, a partir das 20h. Para Carlos Moreira, coordenador da sala de esgrima, a maior dificuldade é atingir esse público, apesar do espaço e do know-how. Além das competições entre cadeirantes, eles podem encarar disputas mistas, em meio a andantes. “A gente queria essa convivência. É um passo importante na integração social, porque muitos vêm de uma experiência traumática.”
O principal ganho é na qualidade de vida. “Eles usam o braço para atacar e se defender. Envolve estratégia, performance e o psicológico”, diz o coordenador. E o principal é não ter diferença entre atletas que andam e que não andam. “Isso é algo normal, é adaptado para eles, mas o tratamento é o mesmo para qualquer praticante da esgrima”, explica Kléber Castro.
Nas aulas, até 10 cadeirantes podem treinar. Hoje apenas cinco vagas estão ocupadas. As outras estão em aberto e o investimento para praticar é zero. “O preço é a dedicação”, afirma Kléber. Além de não haver mensalidade, o equipamento não precisa ser comprado, os professores o emprestam. Informações no www.esgrimabtc.com.br
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Como praticar.
A competição segue a mesma lógica da esgrima convencional e o objetivo é atingir o corpo do adversário. A principal diferença é que os praticantes têm a cadeira fixada no solo. A cada toque um ponto é marcado eletronicamente pelos sensores na ponta da espada ou do florete, armas usadas pelos cadeirantes no Brasil – na esgrima convencional, também se usa o sabre. Na modalidade de espada, os toques devem ser feitos da cintura para cima, em vez do corpo todo. Já no florete pode-se atingir apenas o dorso.
Quando alguém pontua, a luz que representa quem o marcou se acende. A disputa pode durar três tempos de três minutos ou o máximo de 15 pontos na etapa eliminatória e três minutos ou cinco pontos na classificatória. As roupas adequadas são máscara metálica, luva na mão armada e uniforme completo para evitar ferimentos.
Fonte: Super Esportes
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Com três ouros e três bronzes, a natação brasileira garantiu a liderança da modalidade no primeiro dia de provas dos Jogos Parapan-Americanos de Guadalajara, e ajudou o país a largar em igualdade de ouros com os EUA no quadro geral de medalhas, com quatro cada. Os primeiros ouro e bronze do Brasil vieram no ciclismo, com Soelito Gohr e João Schwindt, respectivamente, na prova Contra Relógio, disputada de manhã.
Após duas pratas nos Jogos do Rio de Janeiro, em 2007, Ronaldo Souza Santos chegou ao lugar mais alto do pódio neste domingo. Ele conquistou o primeiro ouro da natação brasileira no México ao vencer os 400m livre na categoria S7, à frente do mexicano Enrique Perez e do canadense Jean-Sebastien Lapointe.
