Resultados mostram que a ACL preserva a vitalidade das mitocôndrias, oferece energia para as células e promove a neuroproteção.
Suplemento comumente usado é capaz de potencializar recuperação de indivíduos com lesão medular. É o que aponta estudo realizado por neurocientistas da Universidade de Kentucky, nos Estados Unidos. Utilizando modelos experimentais, a equipe de pesquisa descobriu que graves lesões na coluna vertebral podem ser tratadas de forma eficaz com a administração do suplemento de acetil-L-carnitina ou ALC, um derivado de aminoácidos essenciais que pode gerar energia metabólica logo após a lesão.
Os pesquisadores relataram anteriormente que com uma lesão da medula espinhal, as mitocôndrias, ou geradoras de energia das células, são dominados e perdem a capacidade de produzir energia na forma de compostos de trifosfato de adenosina (ATP). Isto leva à morte celular no local da lesão e, por fim, a paralisia do corpo.
Resultados do presente estudo demonstraram que a ALC é capaz de preservar a vitalidade das mitocôndrias, agindo como um biocombustível alternativo que oferece energia para as células, ignorando enzimas mitocondriais danificadas e promovendo a neuroproteção.
Em testes realizados com ratos, a administração sistêmica da ALC logo após uma lesão paralisante promoveu a recuperação da capacidade de andar. O grupo controle de animais que não recebeu a ALC, recuperou os movimentos dos membros posteriores apenas superficialmente, enquanto o grupo tratado com ALC recuperou os movimentos mais rapidamente sendo capazes de andar um mês depois. Criticamente, a recuperação foi correlacionada com tecido no local da lesão seguindo a administração da ALC.
A ALC pode ser administrada por via oral e é bem tolerada em doses relativamente altas em seres humanos, os pesquisadores acreditam que sua descoberta pode ser levada facilmente para a prática clínica como uma intervenção precoce para as pessoas com lesões traumáticas da medula espinhal.
A alteração na Lei Orgânica de Assistência Social autoriza pessoas com deficiência a trabalhar como aprendizes, sem perder o benefício. Também assegura que o beneficiário, se necessário, retorne ao BPC sem passar pela reavaliação médica
Pessoas com deficiência que recebem o Benefício de Prestação Continuada da Assistência Social (BPC) poderão tentar o mercado de trabalho sem perder o benefício. A presidenta Dilma Rousseff sancionou, nesta quinta-feira (1º), conforme publicado no Diário Oficial da União, projeto de lei que altera a Lei Orgânica de Assistência Social (Loas), muda a definição conceitual de pessoa com deficiência e amplia a possibilidade de inclusão profissional desse público.
Antes, a pessoa com deficiência perdia o benefício caso tivesse atividade remunerada, inclusive como microempreendedor individual. A partir de agora, o beneficiário pode ingressar no mercado de trabalho e ter o benefício suspenso temporariamente. Se nesse período o beneficiário não conseguir se manter no trabalho ou não adquirir o direito a outro benefício previdenciário, ele retorna ao BPC sem precisar passar pelo processo de requerimento ou de avaliação da deficiência e do grau de impedimento pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
O período de suspensão não é determinado pela lei, mas o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), responsável pela gestão do BPC, proporá ao Legislativo que seja de dois anos. Embora operacionalizado pelo INSS, o BPC não é pensão vitalícia nem aposentadoria. Os beneficiários passam por revisão do INSS a cada dois anos.
Aprendiz – Outra alteração na lei permite que pessoas com deficiência contratadas na condição de aprendizes continuem recebendo o BPC junto com a remuneração salarial durante o período do contrato. “Conforme a lei trabalhista, o contrato de aprendiz é para quem tem entre 16 e 24 anos, está vinculado ao ensino e é remunerado por hora de trabalho. No caso da pessoa com deficiência, não há limitação de idade”, explica a diretora da Secretaria Nacional de Assistência Social (SNAS) do MDS Maria José de Freitas.
A lei também define que pessoa com deficiência é aquela que tem impedimentos de longo prazo (pelo menos de dois anos) de natureza física, mental, intelectual ou sensorial. Os impedimentos podem obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade, em igualdade de condições com as demais.
O BPC é um benefício mensal no valor de um salário mínimo concedido ao idoso, com 65 anos ou mais, e à pessoa com deficiência, de qualquer idade, que comprovem não possuir meios para se manter ou cuja família não tenha recursos para mantê-los. Em ambos os casos, é necessário que a renda bruta familiar per capita seja inferior a um quarto do salário mínimo por mês.
O benefício é gerido pelo MDS e operacionalizado pelo INSS. O recurso para pagamento do BPC sai do Fundo Nacional de Assistência Social. A previsão orçamentária para este ano é de R$ 23,1 bilhões. São 3,5 milhões de beneficiários em todo o País, dos quais 1,8 milhão de pessoas com deficiência.
Projeto piloto – Em parceria com a Federação Nacional das Associações para Valorização de Pessoas com Deficiência (Fenapave) e os ministérios da Educação e do Trabalho e Emprego, o MDS realiza projeto piloto do BPC Trabalho em dez cidades, com o objetivo de promover a inserção de pessoas com deficiência, entre 16 e 45 anos, no mercado de trabalho.
Os municípios de São Paulo e Santo André, no interior paulista, executam o projeto desde o ano passado. Nesta quinta-feira (1º), a secretária nacional de Assistência Social, Denise Colin, assinou a ampliação do projeto para mais oito capitais: João Pessoa (Paraíba), Porto Alegre (Rio Grande do Sul), Recife (Pernambuco), Belém (Pará), Campo Grande (Mato Grosso do Sul), Teresina (Piauí), Fortaleza (Ceará) e Curitiba (Paraná).
O BPC Trabalho prevê visitas domiciliares, diagnóstico social e encaminhamento aos serviços da assistência social. Com apoio das entidades socioassistenciais, os beneficiários são avaliados quanto ao potencial de trabalho e suas demandas, identificadas para inserção profissional.
Soldados que voltam aos EUA sobre cadeiras de rodas reiventam suas rotinas praticando surf, escalada, rafting e voo livre.
The New York Time – 06/09/2011.
Em busca de maneiras de manter sua adrenalina em alta depois que um acidente de moto o forçou a sair do serviço militar e o colocou em uma cadeira de rodas, Darol Kubacz reinventou-se como uma espécie de pioneiro dos esportes radicais.
Ernie Butler, diretor-executivo da região nordeste da organização dos Veteranos Paralisados da América, pratica esportes de voo livre.
Primeiro, ele iniciou a prática de esqui, mas devido à falta de cuidado, ele quebrou sua coluna uma segunda vez. Depois de uma dolorosa recuperação, ele passou a praticar o mountain biking e o mergulho, e chegou a escalar o Monte Kilimanjaro.
No mês passado, a necessidade em buscar aventuras tirou Kubacz de sua casa no Arizona e o levou a uma montanha rochosa para fazer algo que um par de pernas em pleno funcionamento nunca teria permitido alguém fazer de qualquer maneira: voar.
“Como os fuzileiros navais dizem,” ele explicou, “se adaptar e se superar.”
E com uma nova e modificada cadeira de rodas, Kubacz, 37, e seu instrutor saltaram da encosta da montanha em direção à imensidão azul para planar no vento com seu paraquedas.
Por gerações, soldados que voltam aos Estados Unidos com deficiências graves, tanto ocorridas em combate quanto em atividades de risco experimentadas em seus dias de folga, como o motociclismo, encontravam uma pacata e limitada opção de atividades esportivas. Mas a última geração de veteranos deficientes está cada vez mais retomando esportes em busca da emoção que desfrutavam antes de suas lesões.
À medida que expandem a gama dos chamados esportes de adaptação para o surf, escalada e rafting, com a ajuda de novas tecnologias e financiamento de organizações públicas e privadas, esses veteranos têm trabalhado para provar que uma cadeira de rodas não requer necessariamente que o seu ocupante se mantenha apenas com as rodas no chão.
“Eles estão fazendo coisas que nunca pensaríamos ser possíveis dez anos atrás”, disse Kirk Bauer, diretor-executivo da Disabled Sports USA (Esportes Para Deficientes EUA, em tradução literal). No passado, quando Bauer perdeu uma perna no Vietnã, a organização tinha apenas uma sede e ensinava apenas o esqui. Hoje tem mais de 100 filiais e oferece 30 esportes para deficientes.
“Eles adoram velocidade, eles adoram desafio e amam correr riscos”, disse Bauer. “E eles estão realmente cada vez mais desafiando os limites.”
Esse era o objetivo claro dos cinco paraplégicos veteranos militares, nenhum ferido em combate, que chegaram na instituição no mês passado para aprender a praticar o paragliding, um tipo de voo sem propulsão, similar à asa delta, mas que faz uso de um equipamento semelhante a um paraquedas.
Os pilotos decolam e depois sentam-se em um apoio posicionado abaixo da lona, que pode ser dirigido por comandos manuais. Os mais experientes podem ficar no ar por horas antes de aterrissar, normalmente em um campo aberto.
Embora não sejam os primeiros paraplégicos a praticar o paragliding, eles foram os primeiros a serem ensinados a partir do zero usando um novo dispositivo chamado Phoenix, que utiliza uma cadeira de rodas no lugar de um apoio comum. O objetivo final é que os participantes possam praticar o esporte por conta própria, talvez até em competições.
“Eu sabia que poderia praticá-lo com o equipamento certo, mas eu simplesmente não sabia se alguém tinha sido corajoso o suficiente para experimentar isso”, disse Erik Burmeister, 37 anos, que ficou paraplégico em um acidente de moto.
Após a sua lesão, Burmeister aprendeu a esquiar e mergulhar, praticando cada um com o máximo de frequência possível. Um certo dia, em sua casa, na Pensilvânia, ele procurou na internet uma atividade que o fizesse sentir a emoção de sua dúzia de saltos de paraquedas pelo Exército e se deparou com informações sobre o programa Able Pilot (Piloto Capaz, em tradução livre), o grupo que organizaria na época o primeiro programa de paragliding para cadeirantes. Ele foi um dos cinco escolhidos entre mais de 100 candidatos.
“Nós todos aceitamos que a nossa mobilidade é limitada”, disse ele. “Mas temos uma rotina constante de ter que arrastar nossas cadeiras de rodas por aí. Porém, em todos estes esportes, a locomoção é praticamente dispensável. A sensação de liberdade é incrível. ”
O programa de treinamento de quatro dias também serviu de lembrete para o inevitável processo de erros que vem com o aprendizado de um novo esporte, particularmente para alguém em uma cadeira de rodas. Durante as apresentações, os participantes foram informados de que não são hamsters em algum experimento. Ainda assim, eles abraçaram o papel de colocar os seus corpos em risco. No final do treinamento, quatro dos cinco tinham caído ou errado na aterrissagem, e o quinto caiu quando uma decolagem foi abortada. Os instrutores voluntários, bem como engenheiros da Universidade de Utah, tomaram notas das sugestões que os alunos fizeram sobre como melhorar os métodos de ensino e até mesmo o design da cadeira de rodas para atender melhor às suas necessidades.
O programa foi pago com doações do grupo de Veteranos Paralisados da América e pela Fundação Christopher e Dana Reeve, com a ajuda local da Sun Valley Sports Adaptive. Diversos outros grupos se recusaram a oferecer apoio, alegando que o programa era muito arriscado.
“Sim, a prática do paragliding é inerentemente perigosa”, disse Mark Gaskill, um veterano e parapentista que iniciou o programa Able Pilot após levar vários paraplégicos em voos duplos. “A vida é perigosa. Esses caras entendem os riscos. Eles entendem o que uma lesão pode fazer. Porém o voo na cadeira de rodas não é para todos.”
As aulas, que na sua maioria são compostas por treinamentos no chão, começavam antes do amanhecer, com o grupo sendo transportado em vans para um passeio nas montanhas. Cada dia os alunos também praticavam em voos duplos com instrutores voluntários, durante o qual eles eram capazes de voar nos planadores por si próprios.
“Eu nunca achei que iria voar outra vez”, disse Anthony Radetic, 32 anos, um ex-piloto de helicóptero que quebrou suas costas quando sua motocicleta foi atingida por um carro.
Durante anos após a sua lesão, ele tinha vergonha de sair de sua casa, especialmente depois que ele foi forçado a deixar o Exército. Isso mudou quando conheceu os esportes adaptativos: o Jet Ski, o esqui na neve e a corrida de handcycle, pelos quais ele competiu em numerosas maratonas. Ele mesmo também adaptou sua motocicleta, uma Ducati, para que pudesse continuar a passear nas estradas em volta de sua comunidade no interior do Alabama.
Este tipo de transformação é uma das razões pelas quais o Departamento de Assuntos dos Veteranos tem apoiado entusiasticamente o que os líderes descrevem como um aumento exponencial dos esportes radicais, oferecendo assim dinheiro para equipamentos e treinamento. Mesmo arriscadas, as atividades são vistas como uma melhor alternativa do que beber e viver em depressão – algo que muitas vezes acontece após lesões que alteram a vida de um indivíduo.
Hoje, instituições especializadas oferecem mais de 30 tipos de esportes radicais para deficientes – Foto: NYT.
O instrutor Rob Sporrer acompanha Erik Burmeister, veterano que ficou paraplégico após acidente de moto, durante voo – Foto: NYT.
Anthony Radetic, um ex-piloto que fraturou a coluna quando sua moto foi atingida por um carro, praticou parapente com a ajuda de um instrutor – Foto: NYT
Darol Kubacz é um dos veteranos que participa do treinamento. Ele sofreu um acidente de moto que o deixou paraplégico – Foto: NYT.
“É mais do que um bando de loucos que se dispõem a sair e curtir um momento”, disse Richard Stieglitz, que supervisiona a saúde física e o bem-estar do Projeto Guerreiro Ferido, que fornece programas para pessoas feridas no serviço militar. “Nós utilizamos o programa como uma ferramenta para mostrar que eles podem fazer tudo o que quiserem. ”
Depois de um passeio de van até o topo da montanha usada para a decolagem, Ernie Butler, 59 anos, se preparou para seu primeiro voo em Phoenix.
Ele retirou um capacete e o restante do equipamento de uma pequena bolsa. A última vez que ele colocou o mesmo tinha sido há 16 anos, “o dia em que seu salto deu errado.” Seu paraquedas ficou enrolado no de um colega – ele caiu no chão com mais de 220 fraturas.
Sua memória do acidente não trazia nervosismo, apenas ansiedade. “Já faz um tempo que não deixo meus joelhos livres no vento” disse ele.
E depois com um alegre grito ele desceu ladeira abaixo e decolou, gritando de empolgação ao passar pelo grupo que preparava uma outra cadeira para o próximo pulo.