Tendo em vista a melhoria da mobilidade na circulação de pessoas com necessidades especiais, a Prefeitura de Mariana, por meio do Departamento Municipal de Trânsito (DEMUTRAN), inicia a primeira etapa das sinalizações de rampas que servem de acesso para os portadores de necessidades especiais.
A primeira etapa do processo são as pinturas. Estas intervenções estão sendo realizadas nos locais que já existem as rampas de acesso aos cadeirantes nas portas de farmácias, escolas e clínicas. Nas vias que a demarcação não puder ser feita, o DEMUTRAN informa que será inserido uma sinalização vertical.
Na atual gestão do prefeito Geraldo Sales, a questão da acessibilidade é um importante elemento que é priorizado e cumprido de acordo com o código de trânsito. No centro histórico, a sinalização será realizada em conjunto com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), trabalhando conforme as normas referidas ao patrimônio histórico. Indiferente disso, o município terá que se adequar a todo o processo.
A modificação não termina por aí. O DEMUTRAN também vai disponibilizar vagas de estacionamento para portadores de necessidades especiais.
Em breve, o projeto que busca igualar o tratamento aos pedestres de Mariana, será formalizado por decretos. O programa, que teve início em maio, será um trabalho constante, sendo que a partir da implantação da sinalização, outras demandas irão surgir.
O que é acessibilidade?
Acessibilidade significa não apenas permitir que pessoas com necessidades especiais ou mobilidade reduzida participem de atividades que incluem o uso de produtos, serviços e informação, mas a inclusão e extensão do uso destes por todas as parcelas presentes em uma determinada população.
Um blog é usado para informar sobre ruas e estabelecimentos acessíveis.
O trabalho voluntário é dividido entre cinco colaboradores.
Casas adaptadas e acessíveis e informações sobre lugares onde o direito de ir e vir está garantido. Essas duas iniciativas dão dignidade aos deficientes dentro e fora de casa.
“Na opinião de todo cadeirante, as pedrinhas portuguesas tinham que acabar. Eu sei que tem uma série de justificativas para mantê-las, mas eu acho que não pode ser como a gente vê. Todo mundo passa e a manutenção é complicada. Às vezes, fica cheia de desníveis e buracos”, observa Eduardo Câmara, analista de sistema.
Eduardo está na cadeira de rodas há 12 anos. Ele circula pelas ruas do Rio de Janeiro com total independência, mesmo quando se depara com dificuldades, que não são poucas.
A avaliação de ruas e estabelecimentos acessíveis vai parar no blog Mão na Roda, criado por Eduardo há quatro anos. “Eu ajudava algumas pessoas através de comunidades da internet, por e-mail. Então, pensei sobre porque não colocar tudo isso num site. Assim, a informação vai ficar acessível para todo mundo”, justifica.
Ele está sempre atrás de novidades para o blog. O trabalho é voluntário e dividido entre cinco colaboradores. A analista de projetos Cristiana Costa também escreve para o site. Um dos assuntos é a situação das calçadas.
“Ela faz um tipo de buraco. Então, quando chove, enche de água. É horrível para andar. Eu estou sempre andando meio torta”, reclama Cristiana.
Mas os desafios da mobilidade começam antes do cadeirante sair às ruas. Os primeiros obstáculos para quem tem deficiência estão justamente dentro de casa.
No Rio de Janeiro, é desenvolvido um trabalho social que transforma residências em moradias acessíveis. São grandes reformas ou pequenas mudanças que fazem toda a diferença. Na casa, na periferia da cidade, moram três pessoas com deficiência. Entre elas está Juan, de cinco anos.
A vendedora ambulante Viviane Martins não pode pagar pelas adaptações para melhorar a locomoção do filho. “Eu trabalho vendendo bala. O dinheiro dele é dele. Eu não mexo. Compro fralda, remédio e tudo o que ele precisa. Mas para comprar a cadeira para ele, não temos nem condições”, lamenta.
A família recebeu a visita de Rosane Amaral, arquiteta do Projeto Moradia e Acesso, da ONG Rio Inclui. O programa já reformou 40 casas no Rio de Janeiro. O trabalho começa com uma avaliação. O projeto, que atende famílias de baixa renda, começou em janeiro do ano passado.
“São pessoas que tem que estar dentro do município do Rio de Janeiro. Tem que ter uma pessoa com deficiência dentro da residência e uma renda per capita de um salário mínimo por pessoa. A gente avalia quais são os gastos dessa família com saúde”, esclarece Rafael Oliveira, coordenador de projetos da ONG Rio Inclui.
A equipe de obras também conta com uma assistente social. “A assistente social entra com a proposta de fazer um levantamento sócio econômico desse grupo familiar, de compreender as relações familiares que acontecem dentro desse espaço físico”, explica a assistente social Lize Almeida.
Os professores Elza Monteiro e Jorge Souza vivem juntos há 28 anos. As pequenas modificações melhoraram muito a vida do casal.
“Eu subi o vaso sanitário dentro da norma, alarguei a porta, baixei todos os registros e coloquei barras de apoio para que eles tivessem um pouco mais de facilidade na hora do banho”, detalha a arquiteta.
A maior dificuldade era sair com o carro. “Em dia de chuva a gente se molhava todo para poder entrar. Na cadeira não dá para carregar o guarda-chuva”, diz o professor.
Algumas intervenções são maiores. Da casa original do Rian sobraram duas paredes. É uma casa nova. A obra demorou dois meses. Se fosse pagar pela reforma, a dona de casa Renata Oliveira gastaria cerca de R$ 40 mil.
“Eu queria fazer o chão e não consegui. Era um sufoco. O chão era na terra pura. Eu caía muito com ele. Não tinha como passar a cadeira”, lembra Renata.
A casa agora tem quarto, banheiro e cozinha. São ambientes novos e acessíveis.
Adriana Lage comenta sobre sua experiência em situações de emergência, questionando sobre a existência de prioridade para as pessoas com deficiência.
Adriana Lage
Leitores, juro que tentei escrever pouco, mesmo porque ando numa época de correria. Mas me sinto igual àqueles cantores sertanejos que, quando tristes, escrevem músicas e mais músicas. Nessa semana, escrevi dois textos para a Rede Saci e finalizei minha monografia. Como diria minha maninha, chega de drama e vamos ao texto!
Sempre ouço falar que, em situações de emergência, as pessoas com deficiência possuem prioridade no salvamento. Mas será que, na prática, isso funciona mesmo? Querendo ou não, quando o bicho pega, as pessoas ficam preocupadas em salvar sua própria pele. Quem vai se lembrar do colega, como diria Jairo Marques, ‘malacabado’, sabendo que sua própria pele está em jogo? Nem todo mundo possui uma porção altruísta dentro de si. Na época do atentado de 11 de setembro, fiquei encantada com a história de uma funcionária cadeirante que contou com a ajuda de dois homens para descer aquela infinidade de andares. Poucos minutos depois de chegarem a rua, após uma longa e estressante descida, o prédio desabou. Imagino que o sentimento de gratidão dessa mulher seja eterno para com esses seus ‘heróis’.
Comecei a trabalhar no banco em setembro de 2000. Tinha pouco mais de um mês de emprego e trabalhava das 11h às 17h, quando passei por uma das situações mais estressantes da minha vida. A agência em que trabalhava possuía 3 andares e não existiam elevadores – e fui mandada para lá com a desculpa de que estaria em uma agência adaptada! Eu trabalhava no 2º andar e entrava/saia pela garagem, a única adaptação que existia eram dois banheiros adaptados. Como não tinham uso, serviam como depósito. Para almoçar, tinha que pedir ao boy para sair comigo do lado de fora da agência: descíamos o quarteirão esburacado e entrávamos novamente na agência pela portaria do 1º andar. As idas ao banheiro também eram complicadas, sempre pedia para alguma funcionária para me ajudar. Como a agência vivia lotada, geralmente, enquanto eu estava no banheiro, a funcionária voltava para o atendimento. Quase sempre, esqueciam de me buscar. Inúmeras vezes, tive que ligar, do meu celular, para a telefonista pedindo para me arrumar alguém para me resgatar. Outras vezes, era resgatada pelo segurança no seu horário de ronda. Como estava bem desgastante para mim, minha gerente alterou meu horário de trabalho de 12h as 18h.
Pois bem, estava trabalhando, tranquilamente, quando comecei a notar uma movimentação estranha pouco antes das 14h. Quatro policiais subiram as escadas correndo em direção ao gerente geral. Poucos minutos depois, o gerente geral desceu as escadas correndo com uma grávida. Atrás dele, um monte de clientes. Olhei em volta, e todos os funcionários estavam com cara de espanto e se dirigindo para a entrada do 1º andar. Bastou dizer que a agência tinha recebido uma ligação anônima informando sobre a existência de uma bomba, que seria detonada às 14h, que a correria tomou conta. Os colegas do meu setor saíram correndo e me largaram pra trás. Felizmente, duas estagiárias se lembraram de mim. Elas me disseram que não me largariam pra trás e que, se preciso, explodiríamos juntas! Nessas horas, não sei por que, some todo mundo, até o segurança do andar havia desaparecido! Uma das estagiárias desceu as escadas correndo e foi procurar um segurança ou gerente que tivesse o controle da garagem para sairmos. A outra ficou me fazendo companhia. Ela voltou com um gerente que tinha o controle. Ele abriu a garagem e saiu correndo comigo.
A agência fica ao lado de um shopping. Quando sai na rua, fiquei assustada: uma série de carros do corpo de bombeiro, ambulâncias, viaturas policiais, esquadrão anti-bomba, cordão de isolamento e um bando de funcionários e clientes do outro lado da avenida. Como é comum nessas situações, uma massa de curiosos estava pendurada na passarela do shopping e nas imediações da agência. Por sorte, a bomba foi alarme falso, mesmo porque, se tivesse sido detonada às 14h, eu não estaria aqui. Só consegui sair do prédio lá pelas 14:20h. Como fiquei passada das ideias e tremendo muito, meu gerente me mandou pra casa. No dia seguinte, recebi uma série de pedidos de desculpas por ter sido esquecida. A sensação de não ter pra onde ir, sabendo que uma bomba está prestes a explodir perto de você, é muito ruim! Ou corria pra escada ou ficava trancada na garagem. Eu me lembro que voltei pra casa assustada e arrependida por ter trancado minha graduação em ciência da computação para trabalhar no banco. Mas nada que colinho de mãe não resolvesse. O drama passou logo! A bomba não passou de um artifício para bandidos desviarem a atenção da polícia. Enquanto éramos socorridos da falsa bomba, duas agências de bancos privados foram assaltadas na região em que trabalhava.
Sempre que são feitas reuniões da CIPA (Comissão Interna de Prevenção a Acidentes) comento sobre esse caso. Trabalhei cinco anos em um prédio no centro de Belo Horizonte – o prédio possui doze andares e meu setor ficava no oitavo andar. Participei de dois treinamentos de escape: no primeiro treinamento, a brigada de incêndio destacou, anteriormente, dois funcionários do meu setor para serem meus salvadores nas emergências. O bombeiro chefe ensinou a eles qual seria a maneira correta de carregar a cadeira de rodas, onde deveriam segurar, qual distância manteríamos da parede, etc. Após as orientações, voltamos ao trabalho. Cerca de duas horas depois, soou a sirene e começamos a evacuação dos 7º e 8º andares. Saímos na porta de emergência e fomos seguindo o fluxo. Nesse dia, foi tranquilo, poucas pessoas entraram em pânico, só achei desagradável descer sete andares carregada em escada com curva, fiquei morrendo de medo de cair. Em prédio com vários andares, como era o World Trade Center, existem cadeiras de rodas específicas para descer/subir escadas em situações de emergência. Elas são bem estreitas e leves. No caso do banco, não foi considerada necessária uma cadeira dessas.
O segundo treinamento foi feito com a evacuação completa do prédio. Nesse dia a polícia parou o trânsito em frente ao banco, um caminhão enorme do corpo de bombeiros ficou estacionado, no meio da rua, com a sirene gritando e espalharam um pouco de fumaça pelo prédio. Nesse dia, muita gente se assustou. Quando cheguei na saída de emergência do meu andar, a escada estava cheia de gente. Custamos a entrar no meio da multidão. O certo seria descer com a cadeira de rodas encostada na parede, liberando espaço para que uma pessoa pudesse passar ao nosso lado, de forma a não obstruir a fila. Só que começou um empurra-empurra e um terceiro funcionário resolveu ajudar carregando a cadeira. Em cerca de 20 minutos, chegamos à rua. Estranha demais aquela situação, mesmo sabendo que era treinamento, dá estresse: cheiro de queimado, fumaça, gente assustada, policiais e bombeiros correndo pra todo lado… Como meu chefe tinha me avisado, em primeira mão, que teríamos o treinamento após o almoço, avisei minha mãe. Caso saísse algo na imprensa, ela, com certeza, ficaria preocupadíssima! Nos dois treinamentos, meu chefe preferiu me avisar com antecedência para evitar stress, já que sabia que o simples fato de descer tantos andares carregada já seria desconfortável. Tenho uma amiga que tem esclerose múltipla. No primeiro treinamento, tentaram levá-la carregada, formando uma cadeirinha. Foi extremamente sem jeito e desagradável pra ela. A CIPA estudou o caso e solicitou que o banco fornecesse uma cadeira de rodas para que ela utilizasse em situações de emergência. No segundo treinamento, ela desceu na cadeira de rodas e achou mais confortável. Quando trabalhava no centro, tinha um braçal que era do meu fã clube. Ele sempre me dizia que, quando necessário, era só chamá-lo que me salvaria, ainda mais que me achava levinha (detalhe: eu não me acho levinha com 47 kg. Para quem era, praticamente, anoréxica até 2008, ainda não me acostumei com tanta carne). O homem é todo musculoso! Falava que me jogaria nas costas, no melhor estilo estivador e chegaríamos à rua em menos de 2 minutos. Em casos de emergência, essa pode ser uma boa opção.
Acho fundamental esse tipo de treinamento. Sempre participo, mesmo porque nunca sabemos o que nos espera. Meus resgatistas sempre chegavam suados e cansados, mas felizes por terem cumprido a missão. Hoje, trabalho em um prédio de três andares e em breve faremos treinamento de escape. Pra minha sorte, hoje trabalho no 2º andar, apenas um degrau enorme e uma rampa íngreme me separam da rua. O bombeiro já brincou comigo que não preciso me preocupar. No pior caso, é só soltar a cadeira na rampa íngreme. Com certeza, chegarei rapidinho à rua. Se chegarei inteira, já são outros quinhentos!
O bom é que, mesmo com tantas maldades no mundo, sempre temos notícias de pessoas solitárias em situações de emergência. Um treinamento ajuda muito para que as pessoas possam se salvar de forma segura e com menos stress possível. Quem não se surpreendeu com a calma e civilidade com que os japoneses saíram dos prédios durante o terremoto no Japão? No caso do World Trade Center, se os funcionários do prédio não tivessem recebido treinamento e se dedicado a eles, a desgraça teria sido muito maior. Em todo caso, é sempre bom estar em dia com nossas orações e torcer para que nosso anjo da guarda esteja de plantão na terra.