Portadores de necessidades especiais que moram em Belo Horizonte podem começar a comemorar. A Empresa de Transporte e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans) anunciou ontem que concederá 60 novas permissões para o serviço de táxi do tipo acessível – veículo adaptado para transportar cadeirantes, idosos com problemas de locomoção e demais pessoas com mobilidade reduzida. A licitação para definir quem serão os novos permissionários deve ser aberta em fevereiro, e a expectativa é que o concurso seja concluído em três meses.
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, que dispõe sobre a transferência de titularidade de permissão e prestação de Serviço Público em Táxis para Belo Horizonte.
Até hoje, na capital mineira, há apenas um táxi adaptado para atender a todos os portadores de necessidades especiais da cidade. O veículo, um Fiat Doblô, começou a circular na cidade em outubro de 2009 e não consegue atender a toda demanda. O motorista, Ranulfo da Silva Lopes, 55, conta que vários clientes ficam sem atendimento diariamente por causa da grande demanda e dos cuidados especiais que exigem. “Por dia, eu atendo entre seis e sete pessoas. O volume é grande, tendo em vista que cada viagem leva cerca de uma hora. E a demora é grande pelo fato de que embarcar e desembarcar um passageiro com dificuldade de locomoção demora muito”, explicou.
Pros e contras.
O grande tempo gasto nas viagens e o alto custo da adaptação e manutenção dos carros acabam afastando taxistas do serviço. “Esse atendimento é bem mais difícil e demorado. Temos que ter jeito para lidar com o passageiro especial e também muita paciência para ajudá-lo. Eles requerem uma atenção especial e nem todos os motoristas podem dar essa atenção”, disse Ranulfo Lopes.
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De acordo com a diretora de atendimento e informação da BHTrans, Jussara Bellavinha, o único táxi adaptado da cidade custou cerca de R$ 78 mil. Mas ela disse que esse valor pode chegar a R$ 100 mil.
“É um veículo mais caro sim, mas acreditamos que agora os taxistas se interessarão pelo edital por causa da garantia de demanda e também pela concessão de uma nova permissão, e não mais a adaptação dos táxis que já tinham a permissão”, afirmou.
Edital.
Jussara Bellavinha disse ainda que o edital da licitação das 60 novas permissões está em fase de finalização, faltando apenas a avaliação do Ministério Público Estadual (MPE) para então ser publicado.
O atual serviço só pode ser solicitado por meio de agendamento, feito por meio do disque-táxi, pelo número de telefone (31) 3422-1700, da Coopersul.
Associação dos paraplégicos
Demanda é cada dia maior.
Atualmente, 5.998 táxis convencionais circulam pelas ruas e avenidas de Belo Horizonte. Outros 383 veículos, em Contagem, na região metropolitana, estão conveniados e podem operar na capital, segundo o levantamento da BHTrans.
Do total de carros, o fato de apenas um estar adaptado para deficientes físicos é um cenário considerado crítico para o diretor da União dos Paraplégicos de Belo Horizonte, Joaquim Nunes Gonçalves, 59, cadeirante há 35 anos. Segundo ele, a ampliação do serviço especializado já deveria ter acontecido há mais tempo.
“A demanda para esse táxi especial sempre existiu e, por isso, o atendimento deveria ser ofertado em maior quantidade há muito tempo. Os paraplégicos, idosos e deficientes físicos não ficam mais o tempo todo em casa, como acontecia antigamente. Nós temos muito o que fazer na rua e queremos ter acessibilidade para isso”, disse.
Mesmo que tardia, a notícia da ampliação dos táxis adaptados alegrou o diretor. “Eu, geralmente, uso ônibus para me locomover, até mesmo por não haver muitos táxis para cadeirantes. Mas, com o crescimento da oferta de táxis especiais, eu serei um novo passageiro do transporte. Em dias de chuva, por exemplo, ficar na rua esperando ônibus não é nada agradável. Nessas horas, um táxi será bem melhor”, disse.
Obstáculos.
Segundo Gonçalves, cada dia mais, as cidades brasileiras têm se adaptado para oferecer acessibilidade aos deficientes físicos e pessoas com mobilidade reduzida. Mesmo com todo o esforço, ele afirma que é preciso melhorar ainda mais. “Ainda existem muitos obstáculos na vida dos cadeirantes. Em Belo Horizonte, por exemplo, as condições das calçadas e prédios nem sempre são as ideais”.


